SE ME COMOVESSE O AMOR
Se me comovesse o amor como me comove a morte dos que amei, eu viveria feliz. Observo as figueiras, a sombra dos muros, o jasmineiro em que ficou gravada a tua mão, e deixo o dia
caminhar por entre veredas, caminhos perto do rio. Se me comovessem os teus passos entre os outros, os que se perdem nas ruas, os que abandonam a casa e seguem o seu destino, eu saberia reconhecer
o sinal que ninguém encontra, o medo que ninguém comove. Vejo-te regressar do deserto, atravessar os templos, iluminar as varandas, chegar tarde.
Por isso não me procures, não me encontres, não me deixes, não me conheças. Dá-me apenas o pão, a palavra, as coisas possíveis. De longe.
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